2026-06-18

Donald Trump e o ninho de vespas

 



    Este não é um texto engraçado. De vez em quando vai armar-se em engraçadinho, mas o objetivo é passar a imagem acima como a metáfora perfeita (sim, que este menino não almeja nada menos do que a perfeição) para o que está a acontecer no Irão. É uma imagem simples, um pouco como eu, que sou um tipo bastante básico. Cresci numa aldeia, perdida na Beira, e esses lugares comuns todos que vocês estão a pensar enquanto agora começam inadvertidamente a escutar a música do Tony Carreira nesse Spotify invisível que habita a vossa cabeça, e que agora vai ficar a passar em loop durante o resto do dia. De nada. 

    Enfim, voltemos à minha picante metáfora: de cada vez que vinha um primo de Lisboa passar o fim de semana "à terra", achávamos mesmo muito engraçada a falta de conhecimento sobre animais (o típico "ai que cabrinha tão fofinha" enquanto faziam festas a um borrego), árvores de fruto ("Ah que giro, aquela laranjeira também dá limões!"), hortícolas ("...então mas as batatas vêm debaixo da terra?"), etc. Donald Trump faz-me lembrar aquele primo rico e meio burro que chegava de BMW à aldeia todo armado em bom e que acabava à uma da manhã perdido no meio de um pinhal com um saco na mão para encurralar gambuzinos enquanto nós nos ríamos baixinho para ele não nos ver. Passada uma boa meia hora, lá o resgatávamos enquanto dizíamos que tínhamos visto mais de 10 e que eram mesmo criaturas incríveis, que brilhavam no escuro e tudo. Isto, claro, só para garantir que na noite seguinte o enganávamos outra vez. Não havia muito para fazer na aldeia nos anos 90, admito... 

    Mas imaginem que os pais desse primo têm um vespeiro na casa onde passam os fins de semana. Trump é o tal primo: armou-se em bom em frente aos pais e meteu-se a atacar o ninho de vespas (que é claramente o que o regime iraniano era, é, e vai continuar a ser) sem primeiro avaliar cuidadosamente os riscos da intervenção pela força. Resultado: não conseguiu, acabou picado, e passou a ser ainda mais gozado por todos os putos da aldeia. Inacreditavelmente, volta para Lisboa a achar-se o maior, depois de ter concordado que o vespeiro podia continuar onde estava e a exportar o mel lá da ilha de Kharg, ou o que é. 

- Agora apanhei-vos, que as vespas não fazem mel, meus meninos da cidade... 



    Ah, é verdade, quase me esquecia: hoje a noite vai estar bem quente e os gambuzinos com o calor são mais fáceis de apanhar. Caso queiram caçar alguns, é aparecerem no pinhal à meia-noite, ao pé da fonte. ;)