2010-11-25

Viva a Greve Geral


Como devem ter reparado, o Grilus Falantis aderiu ontem à Greve Geral.

Fui para a Avenida da Liberdade para uma manifestação que não existia e acabei a ver um triste concerto da CGTP com o Jorge Palma, o Camané, o José Mário Branco, o Janita Salomé e uma velha comunista a fazer uma dança exótica completamente on acids.

- Estamos bem fodidos.

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2010-11-23

Guerra de Estrelas


Queres defender el-Rei? És sensível? Aprecias andar bem vestidinho? Gostas das artes performativas em geral e frio não é coisa que te meta medo? Aprecias bacalhau do bom e não resistes a uma boa coreografia? Então junta-te à Guarda Real Norueguesa!

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Tuesday, tuesday

Estou com tanta vontade de trabalhar e com uma produtividade tão alta, que se hoje fizesse um filho a alguém, daqui a 9 meses sairia assim:



- Míope.

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2010-11-22

Plastifica-mos

Se há característica transversal a toda a década de 80 e que perpassou ainda para os anos 90 foi a inclinação da populaça em geral para plastificar e forrar coisas.



Ninguém ousava, por exemplo, andar com o carro sem lhe enfiar capas foleiras que tinham por missão destoar com qualquer tablier de qualquer carro do Mundo. Ninguém. Se os estofos eram de pele era porque eram caros e eram de pele, portanto tinha que se proteger do sol. Se eram de tecido, era porque não eram de pele como os dos ricos e sujavam-se. E isso desvalorizava o carro. Em 7 ou 8 escudos, como se veio a constatar mais tarde, mas desvalorizava.

Ninguém tinha corredores sem passadeiras. Ou alcatifa, que era uma espécie de platificação do pavimento da casa inteira, mas em mais mal-cheiroso. Havia até quem forrasse - pasmem-se os mái novos - as tampas das sanitas. Com pelúcia ou com um material à prova de água, uma espécie de napa mas só para lavabos. Que fique aqui registado que já usei uma. Cor de rosinha. E não era só a tampa, como também aquela outra tampa (como se chamará?) onde nos sentamos para, enfim, obrar.

Forrava-se tudo. Quantas e quantas vezes fui eu castigado e severamente punido por não ter plastificado o cartão de aluno? Porque assim dobravam-se-lhe as pontas e ficava um desleixo. Eu nunca plastificava porque podia-me fazer falta a fotografia para trocar com a de alguma miúda, e isso evitava que eu tivesse que passar pelo drama de ir ao fotógrafo novamente, tirar fotos tipo-passe "cabeça para cima, ombro para a frente, sorri, não mexe Tchleck!" e depois ficava-se na parede dos pega-monstros, que era como chamávamos ao mural que o fotógrafo fazia com as nossas tristes caras borbulhentas.

Mas aquele que para mim é o supra-sumo da plastificação de coisas, muito para além dos clássicos naperons plastificados ou mesmo de sofás inteiros plastificados é...:

- O comando plastificado.

Ousar mudar de canal com um comando nú, despido do plástico que o envolvia e o agasalhava era quase como apalpar as mamas à noiva durante o discurso do padre. Sendo-se o padrinho. Era heresia pura. Sempre me fez confusão ir a casa de pessoas que tinham os comandos embrulhados em sacos de plástico transparentes e colados com fita cola. Cheguei a ter em mãos uma plastificação dessas, mas toda ela feita com um saco branco, opaco, e a dizer Continente. Com um furo na ponta, porque "não mudava muito bem de canal".

Há por aí muito boa gente que hoje em dia já nem tem as televisões que se estragaram, os vídeos que comeram aquela cassete do casamento do mái novo, mas os comandos, esses, hão-de permanecer absolutamente intactos.

O que eu nunca percebi foi o objectivo disto. Preservar o comando para os povos do futuro verem como éramos intelectualmente superiores? Os bacanos que no ano 2580 se meterem numa máquina do tempo e viajarem até 1987 vão ficar maravilhados com o carinho com que se preservava aquela invenção que nos permitia mudar da RTP1 para a RTP2 e vice-versa, as vezes que desejássemos. E pôr mais alto. E especialmente, desligar, quando aparecesse a gaja do "Crime, disse ela".

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Monday, monday V

Estou com tão pouca vontade de trabalhar e com uma produtividade tão baixa, que se hoje fosse uma cantora, disfarçar-me-ia de sino da Torre dos Clérigos:

Monday, monday IV

Estou com tão pouca vontade de trabalhar e com uma produtividade tão baixa, que se hoje fizesse um filho a alguém, daqui a 9 meses saíria assim:

Monday, Monday III

Estou com tão pouca vontade de trabalhar e com uma produtividade tão baixa, que se trabalhasse no El Bulli, a criação de hoje sairia assim:

Monday, monday II

Estou com tão pouca vontade de trabalhar e com uma produtividade tão baixa, que se trabalhasse numa pizzaria, a margherita sairia assim:

Monday, monday


Estou com tão pouca vontade de trabalhar e com uma produtividade tão baixa, que se trabalhasse numa linha de montagem da Rolls Royce, o Phantom que montaria hoje teria mais o aspecto de um Phanda.

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2010-11-19

Dia do Homem

O Mundo tem vindo a assistir a enormes modificações. Uma delas tem sido a bem sucedida escalada da mulher no até agora irregular plano social, rumo à igualdade entre sexos.

Assumindo que a nossa facção desta guerra dos sexos está cada vez mais a perder terreno, estando as mulheres em larga maioria no ensino superior e a dar cartas nas mais variadas posições de destaque (há primeiras-ministras, presidentes, directoras de multi-nacionais, etc... qualquer dia até as deixam conduzir automóveis.), quem começa a ser uma minoria ostracizada somos nós, os homens.

E é basicamente por isso que hoje, dia 19 de Novembro, é o Dia Internacional do Homem. Já temos uma data para festejar a nossa minoridade. Aproxima-se o dia por que tanto anseio: aquele em que ficaremos todos em casa a tratar da prole e dos afazeres diários enquanto a mulher ganha o sustento da família e no fim do dia vem-nos pedir para lhe descalçar os sapatos e lhes darmos prazer.

Aaaaaaaah, vida boa, aqui vamos nós!


Entretanto, aqui ficam alguns espécimes dessa antiga glória chamada homem:















Se és mulher, mas depois de veres isto também tu queres ser homem, clica aqui!

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Bloody Mary



Ontem fui à estreia de uma peça no Teatro D. Maria II, e como me tinham oferecido um camarote, levei uns amigos para darmos uma de fidalgos.

Ficar num camarote num teatro construído em 1846 é sinónimo de não ver nada para o palco. Naquela altura o que interessava era mostrar à alta sociedade as novas roupas chic importadas e dar um ar blazé de dândi podre de rico. Ver de facto a peça era secundário. Até porque se apagava a iluminação.

Hoje em dia dá para distinguir os pelintras que assistiram à peça em camarotes com fraca visibilidade simplesmente pelos torcicolos com que ficam por estarem 2 horas sentados em cadeiras de pau e debruçados num corrimão fofinho.

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Calor Esquisito



Segundo noticiou hoje o Blitz, este anúncio onde Beyoncé dá a cara (e as mamas) para publicitar o seu novo perfume, foi considerando no Reino Unido demasiado sexy para crianças.

- Sejamos honestos, percebe-se a proibição: ela está practicamente a foder com as paredes.


Special thanks to Dr. A

Bijoux


Ontem à noite, ao subir a Rua do Carmo, encontro uma grande amiga, designer de jóias, que vinha de um concerto. Falou-se de relações, de gajos e gajas que se fazem difíceis e ela desabafou que andava triste. Eu, olhando para os brincos que ela trazia, reconfortei-a, dizendo:

- Mas em compensação tens uns brincos altamente...
Gostas? Fui eu que fiz. Oh, mas o que é que isso adianta...?
- Então, se algum gajo te elogiar os brincos, dizes que foste tu que fizeste.
Oh, os gajos não ligam a estas coisas, pá.
- Então, dizes "Gostas destes brincos? Sim? Olha, e também sei fazer broches."

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2010-11-17

Epifania do Fanhanhas

[imagem escolhida completamente ao acaso]

Tenho vindo, desde manhã, a sentir que hoje iria escrever algo muito bom. Sinto que tenho dentro de mim algo prestes a sair cá para fora, mas até agora ainda não se deu qualquer epifania.

Às tantas vai-se a ver e não é mais do que aquele tipo de escrita que depois se apaga com um piaçaba.

Amanhã conto-vos como correu.

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2010-11-16

Soul Train



Special thanks to Lily
(depois pago-te em géneros)

Eu na praia



(Voz off: eu dou a minha coninha, dou tudo...)
- Buenos dias! Olhó jabióis lá atraje.

- Bom dia, Matosinhos, tamos aqui na praia, espectaculare! Alto sss...! Tá mesmo muito calore... e tudo.

[...] aqui a filmar [...]

- Estou-me a filmar a mim. Estou a fazer uma reportagem.

Oh, Tiago!

- Hã?

Nós aqui cum cumbersas delicadas, e tu aí a filmar...

- Não, estou a falar pá prá câmara só.

Ah, mas tá-nos a oubir também a nós...

- Na, num shh...

Aah... num bais mostrare.

- Não...

- Et voilá!

- Bem! Vou aqui contin... (num metajareias na câmara!) Vou continuar aqui na praia e pois até já, ok? (Isso não, filha! Isso não! Só o spray, só o spray! Isso nããão!) Como diz o outro: brock youuuuu, fuckers!

2010-11-15

Desportivismo


Quero desde já felicitar a minha máquina de lavar roupa, a minha namorada, o meu gato, o senhor Guimarães, o amigo do senhor Guimarães, o sistema alta-voz do telefone do senhor Guimarães, o neto do senhor Guimarães e os seus guinchos, o Serra da Estrela do outro quarteirão e o André Rieu.

Quero também deixar claro que saio derrotado mas reconheço em vós a capacidade e o brio com que não me deixaram pregar olho desde as 5.30h da manhã.

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