2007-11-06

It's Alive III: Island of the Alive



Este filme americano de classe B é para mim a melhor comédia de sempre, apesar de ser um filme de terror (mais precisamente um terror de filme...). Passou na semana passada na RTP1, às tantas da madrugada, e a verdade é que foi do melhor que já vi no domínio dos filmes extremamente maus (leia-se mal escritos, mal produzidos, mal realizados, mal filmados, etc, etc.). Isto porque de tão mau, dá a volta e passa a genial. Fica aqui um cheirinho do que perderam:

- Só pelo título já podem ver o calibre deste bojarda de classe B: "Está Vivo III: Ilha do Está Vivo"

Como não vi os dois filmes anteriores desta triologia (mas juro que vou comprar a triologia nem que seja a última coisa que faça na vida) só posso falar do filme que a completa. É de 1987, escrito e realizado pelo conhecido Larry Cohen (é conhecido pelos pais, tios e por alguns vizinhos), um mago da estupidez e do non-sense genuínos.

Começa assim:

Ellen Jarvis, mulher de Stephen Jarvis dá à luz um bébé num carro numa rua qualquer. Um polícia tenta ajudá-la mas por azar foi comido pelo bébé Jarvis... Como isto foi chato, o bébé é levado a tribunal, onde Stephen faz uma emocionada defesa do filho. Começa aqui a bonecada:

O bébé Jarvis, à falta de dinheiro para efeitos especiais, foi construído em plasticina rasca, bem como a jaula e as correntes que o impediam de comer a plateia. Claro está que o gajo quando se irritou, torceu as barras de plasticina e atirou-se ao Juíz... Mas o pai lá o acalmou e o Juíz deliberou que o bébé ia ser enviado para uma ilha deserta (!). E lá foi.

A cena seguinte inclui uns caçadores de monstros (só pelo carácter desportivo da coisa) que chegam à ilha de helicóptero. Eram 2 caçadores, um ajudante e o piloto, que fica inteligentemente no helicóptero. Os outros chegam a uma cascata e um deles olha para a enxurrada de água e diz ao ajudante "olha, vai lá subir por aquela cascata fodida para ver se há lá algum caminho" - e o gajo, como não foi à escola, lá vai de boa vontade sem sequer parar para pensar "hummm... caminhos por cascatas de água de 20 metros?". Obviamente, lixa-se. Vem às reboletas até cá abaixo com um boneco de plasticina agarrado ao pescoço (em abono da verdade, diga-se que era ele que segurava o boneco, para este não cair).

Ora os 2 gajos decidem que está na hora de dar de frosques, mas um é logo morto e o outro fica sem um braço. Este último, foge para o helicóptero, claramente com o braço escondido debaixo da camisola e uma molhanga vermelha a escorrer pela manga a fingir que é sangue. Tudo muito bonito, não fosse o piloto decidir "Hmmm... se calhar vou levantar vôo antes de o maneta entrar, só porque sim", e o tipo fica na ilha. O helicóptero levanta e vai voando, até que o piloto leva uma dentada do bébé no colarinho e o helicóptero explode no ar. Isto levanta duas questões:

1 - Como é que o bébé-monstrengo entra para o helicópero, se este tem as portas fechadas e se vê no momento da descolagem que nada nem niguém entra lá para dentro;

2 - Como é que um helicóptero explode no ar só porque o piloto é abocanhado, e porque é que a explosão - que não se vê directamente - arremessa bocados de estores e caixas de fruta pelos ares...

Não importa.

Passados 5 anos, vamos dar com o pai Jarvis a trabalhar numa sapataria e a mandar bitáites aos clientes que se queixam que os sapatos entortam os pés, porque o governo deixou de subsidiar bébés-monstro (Alive's), uma vez que há 6 meses que não nasce nenhum. Chega à sapataria um gajo da polícia e pergunta se Sephen quer ir à ilha tentar trazer um Alive vivo (um Alive alive, em amaricano), já que ele é o único que consegue acalmar o bicho - dado que um é filho dele.

Depois de receber a sua arma com dardos paralisantes - e de a experimentar no gajo que lha deu - lá embarca com os polícias e vão até à ilha, não sem antes cantarem jingles bem estúpidos durante a viagem. Assim que lá chegam, percebem que algo se passa, porque havia uma máscara de mergulho nova em folha no chão (não interessa bem porquê). Chegam à cascata, vira-se um dos gajos e diz "olha, sinto-me sujo, vou tomar uma banhoca aqui nesta cascata" e os outros "está bem". Ora o gajo é morto por um Alive (que agora cresceu e é do tamanho de um gorila). A seguir o Alive corre atrás de uma tipa que ia com eles, e ela naturalmente foge pela mata. O estranho é que quem ia a fugir era precisamente o gajo que tinha acabado de ser morto e não ela... Um pequenito erro de edição.

Depois de alguma carnificina chega-se à conclusão de que existem 5 Alive's e não apenas um. O pessoal que sobrevive foge para o barco, mas quando lá entram reparam que os Alives também embarcaram, e que já mataram o resto da tripulação. O único que acaba por sobreviver é Stephen, que é protegido pelo filho-monstro, que de uma maneira muito ternurenta lhe dá uma cacetada e o manda borda fora. Manda-lhe depois uma porta - que claramente não faz parte daquele veleiro - com aspecto de porta de cofre, mas que, por ser de aço, flutua bem. Quando esta cena acontece, vê-se um navio cargueiro por perto - que seria a salvação do gajo - mas quando ele sobe para a porta e procura o navio, este já não está lá. Isto requer explicação:

- O navio não estava lá porque nunca esteve. A imagem em que aparecia o navio era de outro filme, gravada com outra câmara e noutra altura do dia, colada no filme porque nas filmagens não apareceu nenhum barco por perto...

Bem... A verdade é que Jarvis vai flutuando, safa-se a um tubarão, mas por azar ou má sorte, vai dar à costa em Cuba. Porquê? - Só Deus sabe. É apanhado por militares (que fazem uma imitação extremamente má de um cubano que fala inglês aos berros) que o metem numa maca e o levam por um corredor com uma fotocópia de Fidel pendurada na parede e lhe dizem que Fidel vai "tratar" dele pessoalmente. Esta é uma das partes mais intrigantes deste maravilhoso épico:

- Na cena seguinte, sem mais demoras, Jarvis desembarca num barco de borracha nos EUA, com dois cubanos que o ajudaram a fugir. Um deles dá-lhe uma arma, e Jarvis agradece, despedindo-se só de um deles e ignorando o outro à grande. Posto isto, os cubanos voltam para o barco de borracha e... - voltam para Cuba.

Curiosamente, os Alive's tinham velejado até ao preciso local onde Jarvis desembarcou e entretanto já tinham armado zaragata num bar e escavacado alegremente uns quantos arruaceiros que tentavam bater a uma rapariga. Um deles é agarrado pelo Alive, que naturalmente lhe arranca a cabeça, e que na cena seguinte, quando cai, já é outro gajo, mas com cabeça. Momentos depois, numa outra imagem do pugilato, cai o mesmo gajo novamente, para o mesmo sítio.

Isto desenrola-se durante uns tempos até que a polícia espeta umas quantas balas num Alive que só queria salvar a rapariga (até lhe tinha feito um carinho e tudo...) e lhe diagnostica Sarampo, porque o bicho tinha umas borbulhas.

Entretanto, há um gajo que leva a mulher do Jarvis num Porsche, desse bar para uma casa lá perto. Ela entra e não o deixa entrar a ele, fechando-lhe o portão de 1,50m na cara. Ele fica lixado e tenta abrir mas não consegue (e não se lembra de saltar), voltando para o carro, onde é morto por um Alive.

Ellen Jarvis vai para o quarto e vê uma sombra de um Alive na janela. Como é lógico, manda-lhe com um mini rádio despertador às trombas e o Alive é seriamente atingido, ficando por uns tempos a apanhar bonés. Ela vai à varanda e é puxada pelos cabelos para cima do telhado. Chega Stephen Jarvis - que também não salta o portão de metro e meio - e arromba aquilo, subindo depois até ao telhado, onde curiosamente estão os 5 Alives, incluíndo o que morreu. Passa nas calmas por um deles, mas leva uma tamanha de uma tapona com as costas da mão, caindo e logo depois prosseguindo nas calmas o seu percurso sem sequer olhar para trás, onde o Alive fica imóvel em posição de Michel Preuddhome a defender penalties.

Chega perto da mulher, e percebem os dois que os 5 Alives estão a morrer do Sarampo, e que lhes querem entregar um pequenote. E eles "tudo bem", e fogem da casa - que a esta altura estava cercada pela polícia - sem serem vistos. Para fugirem, recorrem inteligentemente ao roubo do carro de um dos mirones, mesmo atrás dos polícias, que nem se voltaram para ver um carro a fugir de uma cena de crime, com o dono agarrado à porta e a gritar HELP!!!

- E sim, acaba desta maneira o melhor filme de sempre. Tão estupidamente como começou.

10 comentários:

Borboleta disse...

epá! tenho pena de não ter visto esta pérola!

tiagugrilu disse...

Não sabes o que perdeste MESMO... Se alguém viu, por favor deixe aq~ui o seu testemunho!

Anónimo disse...

Infelizmente tb n vi...mas fez-me lembrar uma sucessão de séries Zs que vi na RTP (onde podia ser?)onde entre vários filmes mad maxianos onde perdiamos a conta a quantas facções rebeldes existiam em cena...tipo os azuis, os amarelos os verdes..culminou com um que se não me falha a memória chamava-se the X-man..um tipo que andava pela rua n se sabe bem porquê num escafandro à Tintim e o segredo do Licorne com um maçarico a queimar malta...o seu lema era " I am the Streets, the Streets belongs to me...mas meu, acho que o teu está vários pontinhos acima.

O neto do Alive in an island of Mediterranian Sea, Part I I 5/6

Sousa Rodrigues disse...

Meu, quanto à explosão, não vejo qual é o teu espanto, toda a gente sabe que os helicópteros levam caixas de fruta. Isso é de senso comum.

a gaija trendy disse...

Não vi este filme, mas também acho que não tenho pena de não o ter visto...A tua descrição é muito viva, serve-me perfeitamente.
Conto os minutos para o próximo episódio da L WORD...

Bruninha disse...

Bom ou mau vejo que lá atento estiveste! Podias editar este texto para aqueles livrinhos da Europa América a que a malta recorria para não ter que ler o livro todo!
P.S: Acho que vou alugar o filme.

Gigi disse...

GRILO, pah!!!!

Eu vi o filme, para dizer a verdade apenas vi a parte que relatas no último parágrafo, o fim. (porque antes estava a ver aquele programa apresentado pela Liliana Aguiar e que dá às 3h da manha e em que as pessoas ligam para lá para dizerem o nome de coisas, cuja palavra tá escrita no ecran, mas em que falta uma letra.)

Vi apenas cerca de 10m de filme, mas fiquei deveras impressionado pelos fantásticos efeitos especiais do filme. A caracterização também não estava nada mal!

Para dizer a verdade, fiquei até um pouco emocionado quando os Alives morreram de sarampo no telhado do armazém. Felizmente, tudo acabou bem!

Lulu disse...

Eu confesso que não vi, mas pelo traila escrito parece uma reprise do Dragon Ball...

Anónimo disse...

Discordo....é!
Desculpa Tiago, mas não devias ter tocado num assunto tão sensível e que sabes que me diz tanto como é o It’s Alive III: The Island of the Alive. Como tu sabes, eu também vi a supramencionada obra, pois estava bêbedo ao teu lado...
No entanto Miguel, parece-me que vimos filmes diferentes quando tu te referes a ela como um “filme extremamente mau (leia-se mal escrito, mal produzido, mal realizado, mal filmado, etc, etc)”, isto porque esta peça sublime é nada mais nada menos do que...”audaz”, atrevendo-me mesmo a classificá-la como à frente do seu tempo. E passo a explicar porquê:
Para quem vê o filme com o mínimo de atenção – ou mesmo completamente bêbedo (ninguém aqui é Doutor para exigir nada de ninguém) – é imediatamente claro que todo o filme foi filmado de forma corrida num único take, excepção feita à cena do petroleiro que essa aí sim tiveram que parar o filme para a ir roubar de outro filme qualquer.
Mas mesmo nessa situação, testemunhamos como Larry Cohen (realizador Alive) é um gajo “de tomates”, porque dá uma de “bem, vou espetar sem mais nem ontem uma colagem de um petroleiro a meio do filme, com uma imagem de textura e luminosidade totalmente distintas do resto e quem estiver a ver vai gostar...porque eu quero!” ...E isto sim, eu admiro!
Mas para quê ir tão longe quando logo no título encontramos provas da sua coragem...Larry Cohen, conjuntamente com o seu produtor executivo Larry Cohen, com os seus argumentistas Larrys Cohens e com o director de fotografia La Rycohen deliberam “bom, isto era um filme em condições se próprio título fosse uma sequência frásica sem qualquer sentido lógico na nossa ou em qualquer outra língua, porque coiso...está bem?”.... e é que ninguém discute meus amigos...pois sabem quem é aquele menino que está ali...é Larry Cohen! E é aí que nasce em toda a sua glória “It’s Alive III: the Island of The Alive” – “Está Vivo III: A Ilha do Está Vivo”...ah pois é bebé!

Ass. Ricardo

tiagugrilu disse...

Convém explicar que o homem que assina este comment aqui em cima estava a dormir ebriamente antes de o polícia ser comido pelo Alive. Obviamente acordei-o e dei-lhe mais vinho.