2008-05-20

Mais uma aventura no Metro...



Que todos nós temos dias em que estamos mais jeitosos que noutros, é um facto.
Que há alturas na vida em que se pensa "fogo, hoje estou mais atraente do que a Lily Caneças", todos sabemos.
Agora isto, é demais:

Sento-me no metro (no comboio, não naquela ripa de madeira com 100cm), num lugar vago ao lado de uma gaja esquisita. Logo aqui podem perguntar-me porque é que eu me sentei ao lado de uma pessoa esquisita... E eu respondo: onde é que vocês se sentam num transporte público em Lisboa onde não haja perto uma pessoa que parece que acabou de aterrar a nave? Mas realmente neste caso fui ingénuo:

A mulher tinha uns 40 anos, uma popa no cabelo louro platinado, tipo rampa de lançamento para manobras de motocross freestyle, uma camisa com metade dos botões abertos e com as mamas a saltar para fora (provavelmente fartas de conviver com a dona). Epá, nada contra. Sentei-me, porque não julgo as pessoas pelo aspecto; até gosto de manobras aéreas em motocross e acho ainda que em Portugal já se fez mais por esse desporto (saudosos anos 80, quando havia muito mais daquelas popas).

O caso tornou-se sério pouco depois do metro arrancar, quando olho ligeiramente para o meu lado direito. Estava a "pessoa" da popa gigante a olhar fixamente para mim. Mas não era um olhar de soslaio, era mais um olhar do género "vou virar a cabeça e olhar para este gajo fixamente enquanto deixo o resto do corpo sentado normalmente, virado para a frente".

Agora imaginem isto durante uns 15 minutos (6 estações de metro). Eu fiz de tudo para não me sentir incomodado: pus o MP3 mais alto, mais baixo, para a música a seguir, para a pasta anterior, meti o equalizador em Jazz, em Rock, em Classical... Epá... Tudo. E a gaja continuava na mesma posição. A rapariga que estava à minha frente olhava para mim com ar de pena, e olhava para ela com espanto. Eu fiz mil expressões de enjoo, de mal estar, de olhar para sítios avulsos, tentei concentrar-me noutras cenas... Mas não dava.

Finalmente a minha estação. Saí apressado, meio enfastiado meio aliviado, mas depois constatei o pior: ela tinha saído atrás de mim.

Agora, ao melhor estilo dos livros de adolescentes dos mesmos anos 80 do penteado daquele ser, tentem adivinhar o que aconteceu a seguir. Quem acertar ganha um corte de cabelo no salão "Cabeleireiros Zarita", onde a laca é Wella, com a mesma embalagem que se vendia em 1984.

12 comentários:

João Castanhinha disse...

A senhora da madeixa seguiu-te, tu correste, e ela correu atrás de ti, atravessas-te a rua e ela, sem olhar para o sinal dos peões levou com um autocarro da Carris em cima, tu paraste, ofegante e sem perceber o que se tinha passado correste na sua direcção para a ajudar, já sem pensar em madeixas ou em peitos...
Abeiraste-te dela e ouviste o seu ultimo mermurio:
- Meu filho, queria-te dizer....
e finou-se.

Foi a sepultar num domingo de Maio no Alto de são João, apenas tu lá estavas para ouvir o padre, soubeste que se chamava Suzete e vivia em solidão num apartamento arrendado à Santa Casa, lá para o Intendente, sozinha, sem filhos o descendentes.
Quando regressavas o coveiro entregou-te uma pequena peça que encontrara no bolso junto ao peito da Senhora madeixa, era o teu Ipod.

tiagugrilu disse...

Estás lá muito perto, é o que te posso adiantar por agora... Suzete parece-me ir muito bem com a fronha dela, mas o meu MP3, infelizmente para mim e para a "coolness" do texto, não é um Ipod, mas uma imitação barata.

Adorei este final, mas juro-te que o olhar dela era tudo menos maternal.

rafaela disse...

a predadora ;)

Bloga-mos disse...

Por vezes fico fodido contigo, pá! Então tiveste a drageia ao alcance das rodas e...nada?! Por este andar podes dizer adeus ao convite para padrinho de casamento. A não ser arrotes postas desta qualidade dia sim dia não.

a gaija trendy disse...

A Senhora seguiu-te e ao jeito dos anos 80, perguntou-te se te podia conhecer. Não consigo ir muito mais para além disto...

Barrabás disse...

A minha aposta vai para uma perseguição louca pelas ruas e ruelas da cidade de Lisboa, que culminou numa noite (ou lusco-fusco) de Amor (ou violação dela a ti) intenso e ardente num qualquer hotel rasca da cidade... depois... depois, não sei! Acertei? Acertei?

tiagugrilu disse...

BARRABÁS! ÉS TU, BARRABÁS? (não sei se a citação é daqui...n faz mal) Acertaste.

Podes passar na Fnac da Baixa este sábado e dirigir-te à zona da mercearia para levantares o teu vale "zarita".

Bom final!

Abraço

tiagugrilu disse...

Por razões que a própria razão desconhece, decidi atribuir um outro vale "zarita" a João Castanhinha, cujo final não fica nada aquém do de Barrabás.

Até posso adiantar que o prémio foi atribuído de repente não pela maior originalidade mas pelo meu prazer em escrever a palavra Barrabás.

Um grande Barrabás para todos e bom fim de semana.

P.s.: A história verdadeira não tinha piada nenhuma, daí não ter acabado; ela realmente veio atrás de mim e eu dei de frosques como há muito não dava. Fugir de mulheres é d'homem!

Barrabás disse...

Epá! Prazer em escrever Barrabás? Tens a noção que isso é um bocadinho esquesito?

Se bem que, eu próprio, talvez derivado do meu exacerbado narcisismo, adore ouvir e escrever o meu nome!

Qual é a validade e o valor do meu vale? A que horas o posso ir levantar? É a primeira vez que ganho alguma coisa! Esrou tão emocionado...

João Castanhinha disse...

O Barrrabaás, tem um quê de Barbas, remetendo para o lendário pirata barba ruiva ou por outro lado, por ali junto da fonte da telha o barbas, esse monstro (ai que medo)do acepipe, corrigo para acepique (parece-me ficar melhor)da restauração nacional, era tambem, e apenas de passagem, que o gaijo só tinha ido visitar a mãe á Judeia, o bacano a quem a malta curtiu em vez do jesus cristo, JC para os amigos, dono de (reza a lenda, ámen e ai men)de uma tambem douta barba, daí barrabas, acho que fui claro, e ah, caro grilu, obrigado pela alteração dos critérios para me favorecer;)

tiagugrilu disse...

JC (de João Castanhinha, não de Jesus Cristo):

Sabes bem que a falta de coerência é um apanágio deste blog, como tal não poderia deixar de alterar regras a meio do jogo...

tiagugrilu disse...

...E onde se lê "um", não se leia nada, que eu enganei-me.